As orientações dos órgãos reguladores de todas as partes do mundo têm muito a dizer sobre como realizar estudo-piloto para intrusão de vapor. A maioria das orientações técnicas recomendaria testar o ar interior logo após a instalação de um sistema de mitigação/remediação, se for necessário. Mas não tem sido muito mencionado sobre como, e com que frequência testar um sistema de mitigação nos meses e anos subsequentes. Neste artigo, discutiremos o tema relacionado a monitoramento de longo prazo de sistemas de mitigação de vapor.
Existem alguns paralelos que exploram a ligação entre intrusão de vapor e radônio, mas há muitas diferenças também. Uma diferença está na abordagem para testar a eficácia dos sistemas de mitigação. Tanto a intrusão de radônio quanto a de vapor são tipicamente mitigadas através da despressurização abaixo do piso (sub-slab), na qual os tubos são instalados no andar mais baixo e o gás do solo é puxado através dos tubos, sendo expurgado para o exterior com ventiladores de radônio. Mas a semelhanças terminam neste ponto.
Teste inicial pós-mitigação
O padrão ANSI/AARST 2014 para medir radônio nas residências recomenda testes pós-mitigação de ar interior entre 24 horas e 30 dias após a instalação do sistema. O mínimo de 24 horas permite algum tempo para o solo sob o edifício secar, o que poderia afetar as concentrações de radônio. A maioria das outras orientações sobre radônio tem recomendações semelhantes.
Para a intrusão de vapor, os testes pós-mitigação tardam um pouco mais para permitir o “sink effect”, que é a absorção de vapores por paredes, estofamento e outros constituintes das edificações. Depois de instalar um sistema de mitigação de vapor, os vapores podem sair desses constituintes, de volta ao ar interior, por vários dias ou semanas. Radônio geralmente não é absorvido por materiais de construção, e fontes de radônio geralmente não estão presentes em materiais de construção.
A maioria das orientações estaduais dos EUA concordam com o período de espera de 30 dias para a intrusão de vapor. A orientação de Wisconsin 2010 menciona que as amostras de verificação devem ser coletadas após o sistema estar operando por no mínimo 3 meses. No extremo oposto, a orientação de Massachusetts 2016 indica que a amostragem deve ser feita aproximadamente 7 dias após o início da operação do sistema. No caso de um perigo iminente, a amostragem pode ser realizada logo após a o início da operação do sistema.
Agora que esclarecemos um pouco melhor sobre o assunto. O que consiste um teste pós-mitigação? Invariavelmente, o teste requer amostragem de ar interior para ver se as concentrações de vapor diminuíram. Se as concentrações diminuíram abaixo do nível orientador, o sistema de mitigação está funcionando. Se não, o sistema pode precisar ser modificado.
Mas e se alguns compostos reduzirem e outros não? Isso muitas vezes significa que os compostos que reduziram são de intrusão de vapor, enquanto que os que não eram de fontes internas ou externas, seriam conhecidos como “background”. Se você instalou o sistema de mitigação para eliminar o que realmente era de fontes internas, você provavelmente desperdiçou dinheiro.
Sua melhor chance de prevenir esta situação é entender as proporções de concentrações de sub-slab e ar interior (indoor air – IA), fazendo com que o laboratório analítico restrinja a lista de compostos no ar interior aos observados anteriormente no gás do solo.
Não é surpreendente que não exista consenso sobre quantos eventos de amostragem pós-mitigação são necessários para verificar o desempenho do sistema. Mas de 01 a 03 eventos, com um deles durante a de aquecimento, tem sido mais frequente.
Monitoramento de longo prazo
Depois de instalar um sistema de mitigação de vapor e provar que ele funciona, como se comprova que o mesmo continua a funcionar? No caso de um sistema passivo, ou seja, um com tubos e/ou barreiras, mas sem ventilador, geralmente é necessário testar periodicamente o ar interior indefinidamente. Para sistemas Sub-Slab Depressurization (SSD) ativos, a operação pode ser verificada com uma combinação de testes de ar interior e garantindo a presença contínua de um vácuo abaixo do piso.
Os sistemas ativos de mitigação de radônio e vapor são normalmente equipados com um manômetro, que é um medidor que indica a presença de um vácuo no tubo riser. Os manômetros mais simples são simplesmente um tubo em forma de U cheio de líquido, e a diferença de altura das colunas líquidas entre um lado e o outro indica a quantidade de vácuo. Sistemas de maior orçamento podem incluir um manômetro eletrônico conectado a um alarme que fornece notificação se o vácuo cair abaixo de um nível aceitável. Uma abordagem ainda mais completa é um sistema no qual os níveis de vácuo são medidos abaixo do piso em vários pontos de teste. Esses pontos de testes podem usa o Vapor Pin®, ou outros pontos que foram instalados durante testes piloto de sistema de mitigação anterior.
A guia da EPA OSWER 2015 diz que, uma vez que uma demonstração adequada de eficácia tenha sido feita para o sistema de mitigação de intrusões de vapor, o monitoramento periódico é recomendado para verificar se esse desempenho é constante. Os guias norte-americanos oferecem várias orientações para cada Estado, como o da Califórnia (2011), Nova Jersey (2014) e Massachusetts (2011), que apresentam exemplos de como podem serem realizados os testes.
A orientação atualizada de Nova Jersey (2016) recomenda uma combinação de testes de ar interior e medições de vácuo subslab, como mostrado em sua tabela abaixo:
IA – Indoor Air ( Ar interno)
SSDS – Subslab Depressurization System (Sistema de despressurização subslab)
IASL – Indoor Air Screening Level (Nível de triagem de ar interno)
SSSG – Subslab Soil Gas (Gás do solo Subslab)
IRA – Interim Response Action (Ação de resposta interim)
SSVS – Subslab Ventilation System (Sistema de ventilação Subslab)
M&M – Maintenance and Monitoring (Manutenção e Monitoramento)
VS – Verification Sampling (Amostragem de Verificação)
Os técnicos ao redor do mundo que estudam sobre radônio têm outra forma de ver a situação. Todavia, após participar do comitê para atualizar o padrão ANSI/AARST 2014, para testar radônio em edifícios residenciais, quando nosso grupo discutiu a seção sobre monitoramento de radônio pós-mitigação de longo prazo, sugerimos medir vácuos no sub-slab para verificar a eficácia contínua do sistema. O que era compreensível nas as análises de radônio era o custo muito menos dispendiosa do que as análises de vapor.
Atualmente, um proprietário pode comprar um kit de teste radon, incluindo o custo de análise, por menos de US$ 14. Além disso, o proprietário pode interpretar os próprios resultados simplesmente respondendo à pergunta: a concentração de radônio é maior ou igual a 4 picocuries/litro?
Em contrapartida, as amostras de vapor custam centenas de dólares cada para analisar, e devem ser coletadas com equipamentos especializados e interpretadas por pessoas experientes. A comunidade de intrusão de vapor segue lutando com monitoramento de longo prazo, mas a maioria das abordagens substitui alguns dos testes de ar interior por leituras de vácuo subslab.
Atualmente, não há padrões para monitoramento de longo prazo específicos para alguns estados nos Estados Unidos, como o estado de Ohio. Mas recomendamos procedimentos semelhantes aos de Nova Jersey, nos quais as medidas de vácuo do subslab substituem a maioria das amostragens de ar interior. A física é bastante simples – o gás do solo não migra para o ar interior se as pressões do subslab forem mais baixas.
Essa abordagem pode ser resumida como coleta de ar interior e leituras de vácuo subslab algumas semanas após a instalação do sistema. Se o ar interno é aceitável, presume-se que permaneça assim, desde que os vácuos sub-slab permaneçam estáveis. Se os vácuos sub-slab mudarem demais, talvez seja necessário reamostrar o ar interior e ler vácuos sub-slab. E se o ar interno for novamente aceitável, as novas pressões de vácuo são consideradas como a nova linha de base.
Testes adicionais
A maioria das orientações técnicas que abordam o monitoramento a longo prazo recomenda testar o ar interior periodicamente após a instalação do sistema, normalmente a cada cinco anos. Além disso, o reteste do ar interno é recomendado após uma série de alterações que podem afetar negativamente o desempenho do sistema, incluindo:
- Adição de edifícios, demolição parcial ou renovação significativa.
- Principais mudanças no sistema de aquecimento/ventilação/ar condicionado
- Intemperes extensiva da construção.
- Adição de aberturas de pisos principais (que é de 5% da área do piso, de acordo com o guia Pensilvânia 2017, mas provavelmente menos na opinião de muitas pessoas).
- Assentamento, terremotos, explosões ou outras fontes de rachaduras grandes do chão
- Modificação ou reparo no sistema de mitigação.
- Alterações nos níveis de triagem de ar interior.
- Mudanças na ocupação, por exemplo, conversão de prédio industrial para apartamentos.
- Transações imobiliárias.
Uma vantagem do uso de pontos de amostra sub-slab para monitoramento de vácuo a longo prazo, é que eles também podem ser testados periodicamente para concentrações de vapor, para determinar se a intrusão de vapor não é mais necessária. Se as concentrações de vapor sub-slab diminuírem através da remediação ativa, ou através de uma atenuação natural (que é muito mais provável em hidrocarbonetos não clorados), o sistema de mitigação de vapor geralmente pode ser desativado.
Gostaria de salientar, que a EPA e outros frequentemente elogiam e apontam a mitigação preventiva de vapor, ou seja, a instalação de um sistema de mitigação, em vez de testes. Alega-se que a mitigação preventiva pode ser mais econômica a longo prazo, uma vez que elimina a necessidade de investigar. Mas a crescente preocupação com o monitoramento a longo prazo, e os custos que isso implica, eliminam muito ou toda a redução de custos.
De qualquer forma, as responsabilidades de um proprietário não terminam com a instalação de um sistema de mitigação de vapor, e é útil entender o monitoramento a longo prazo antes que você se depara com essas responsabilidades.
No próximo artigo, discutiremos como distinguir entre intrusão vapor e contaminação de fundo (background).

