No primeiro artigo publicado anteriormente sobre Modelos Conceituais da Área (MCA), dividimos o modelo conceitual para intrusão de vapor (VI) em três partes – fontes (quais produtos químicos e quanto), caminhos preferenciais de migração dos contaminantes e receptores. No mês passado discutimos prováveis fontes de intrusão de vapor. Nesta edição discutiremos a migração de vapor.
O particionamento é a transferência de substâncias químicas de um meio para o outro. Neste caso, do solo e água subterrânea para o ar. A partição para a fase vapor a partir da água subterrânea é frequentemente relacionada à concentração, temperatura e com a constante de Henry, as quais são geralmente bem avaliadas para o site. O particionamento a partir do solo é mais complexo devido à adição das variáveis da composição e estrutura do solo, as quais são tipicamente menos elucidadas. Razão pela qual muitos documentos de orientação restringem ou proíbem o uso de dados do solo para estimar de maneira preditiva o risco para VI.
Consequentemente, o solo contaminado é considerado um risco VI, mas ninguém sabe ao certo a
grandeza do risco. Os riscos para os compostos de VI do solo somente podem ser estimadas após a avaliação por amostragem deles depois de particionado da água subterrânea, gás do solo e ar. Interpretando as planilhas utilizadas pela a EPA do modelo Johnson e Ettinger, dizem prever o risco VI do solo, água subterrânea e gás do solo, mas o modelo vem deixando de ser utilizado devido a muitos órgãos reguladores não aceitarem o modelo para solo, devido a dúvidas acerca da precisão e exatidão dos dados. Da mesma forma, as concentrações máximas permitidas – valores orientadores de screening – estão amplamente disponíveis para VOC em solo, água subterrânea e ar ambiente.
A fonte primária é onde os vapores químicos migram diretamente de uma fonte para o ar interior. Uma fonte secundária é onde os produtos químicos são transportados através de outro meio, tipicamente uma pluma de água subterrânea e os vapores migram para acima da pluma. De acordo com o Guia EPA para VI, a migração de VOC clorados (CVOC) é geralmente limitada a uma distância lateral de 30 metros da fonte. Já o Guia EPA para VI de hidrocarbonetos de petróleo diz que a migração de hidrocarbonetos de petróleo ou TPH é geralmente inferior a 9 metros, porque quebram mais rápido que os organoclorados, e a decomposição química é geralmente ignorada ao estimar o VI de organoclorados.
De qualquer forma, em instalações comerciais/industriais, a migração primária de vapor muitas vezes representa um risco apenas para os funcionários, enquanto a migração secundária através de plumas de águas subterrâneas pode transportar contaminantes por quilômetros e expor as pessoas em ambientes residenciais. Esse risco faz do fluxo de águas subterrâneas um componente-chave da maioria dos Modelos Conceituais da Área (MCA).
O outro fator complicador na migração de vapor é a presença de caminhos preferenciais. Rede de água, esgotos, túneis e outras características enterradas são tipicamente cercados por cascalho ou areia, o que pode facilitar a migração de vapor em distâncias muito superiores a 9 ou 30 metros. Subsequentemente, as vias preferenciais deverão ser consideradas também na elaboração de um MCA para VI. Qualquer configuração em que o sistema de água ou esgoto enterrados entrem em contato com uma fonte de vapor primária ou secundária, deve ser avaliada como um potencial de transmitir vapores aos receptores.
No próximo artigo, discutiremos a migração de vapor pelo solo.