Chegamos no último artigo sobre Modelos Conceituais da Área (MCA) para intrusão de vapores.
Nas edições anteriores, discutimos fontes potenciais de intrusão de vapor, migração e mistura com ar interno de edificações. Neste artigo, discutiremos as diferenças nos receptores, e os efeitos em investigações de intrusão de vapor.
Se você leu o artigo do mês passado, falamos que o gás do solo pode ter menos impacto em um ambiente comercial/industrial (C/I) do que em um ambiente residencial, devido à maior taxa de troca de ar para ambientes C/I. De acordo com os valores de modelagem padrão, a taxa de troca de ar para ambientes C/I é 4 vezes maior do que a taxa residencial, o que faz com que o vapor do solo seja diluído em maior proporção em C/I. Além disso, a altura do teto em edifícios C/I são muitas vezes mais altos, fazendo com que o gás do solo seja diluído ainda mais em relação à residência.
Mas há outra diferença relativa à exposição de ocupantes entre um ambiente C/I e ocupantes residenciais. Os funcionários estão no local de trabalho aproximadamente 40h por semana, enquanto os residentes podem estar em casa até 168h por semana. Consequentemente, o nível de alvo quociente de risco individual é aproximadamente 4,2 vezes maior para edificações C/I do que para edificações residenciais. Por exemplo, os valores orientadores (Vapor Intrusion Screening Level (VISL) – EPA) para tricloroeteno (TCE), usando um Índice de Perigo de 1, é de 2,1 µg/m3 para residentes e 8,8 µg/m3 para trabalhadores.
Você deve ter notado que órgãos ambientais podem ter valores orientadores (VISL) diferentes. Isso é devido a diferenças de suposições sobre o tempo de exposição. O Sistema Integrado de Informações sobre Riscos (IRIS) da USEPA utiliza uma Concentração de Referência (RFC) para inalação de 2,0 µg/m3 para TCE, com base no pressuposto de que a inalação de vapores a essa concentração, 24/7, continuamente por 365 dias, poderia causar efeitos adversos à saúde.
Os valores orientadores (VISL) residencial é semelhante, mas assume exposição por 350 dias por ano, enquanto os valores orientadores para edificações C/I assume um dia de 8h por 250 dias por ano. O tempo de exposição mais curto podem elevar os valores orientadores para até 2,1 µg/m3 e 8,8 µg/m3, respectivamente. Diferentes estados e diferentes órgãos ambientais podem ter nível de alvo quociente de risco diferentes, com base em cenários de exposição. Em 2013, a EPA da região 9 enviou uma carta ao Conselho Regional de Controle da Qualidade da Água da Califórnia – SF Bay Region, arredondando o nível de exposição ocupacional até 9 µg/m3, mas recomendava o uso de 7 µg/m3 para contabilizar 10hs de trabalho.
Do ponto de vista político, os trabalhadores também são considerados diferentes dos residentes receptores, porque se presumem que estão saudáveis e, em certa medida, estão recebendo compensação financeira por seus riscos. Supõe-se também que eles sejam mais esclarecidos do que receptores residenciais sobre os riscos de exposição química, uma vez que eles normalmente estão familiarizados com protocolos de segurança e outras informações que podem ser desconhecidas pelos receptores de residência.
Os elementos restantes do CSM para intrusão de vapor, após os vapores se adentrarem em edificações, é a contaminação de fundo. Discutimos a contaminação de fundo em um de nossos artigos no passado, mas para efeito de revisão a intrusão de vapor é o termo dado a migração de compostos orgânicos voláteis (VOC) e compostos orgânicos semivoláteis (SVOC) para o ar em ambientes fechados a partir de fontes internas e ou do ar livre.
Em diversos cenários, poluentes como benzeno, tolueno, etilbenzeno, xilenos (BTEX) estão presentes no ar de ambiente externo, mas outros compostos, tais como o TCE, são altamente controversos. Em várias situações, também se encontra TCE em níveis próximos ou acima dos valores orientadores (VISL) usado pelo órgão ambiental EPA. Fontes internas em edificações C/I podem criar altos índices, e centenas de vezes é encontrado acima do VISL usado na calculadora Vapor Intrusion Screening Level (VISL) da USEPA e em outras situações, muito abaixo dos limites regulamentados pela agência OSHA (Occupational Safety and Health Administration).
Tudo isso torna o caminho de intrusão de vapor complexo, ou simplesmente confuso. A criação do CSM no início de um projeto é essencial para compreender os caminhos preferenciais para investigação de VI para evitar um diagnóstico incorreto do problema e implementação de esforços de mitigação ineficazes.
No próximo artigo sobre Modelos Conceituais da Área (MCA) para VI, falaremos sobre gases do solo profundo e raso.