Intrusão de Vapor: Tricloroeteno

O termo “subslab” ou “sub-slab” soil gas, se refere ao ar contido nos poros do solo que se concentram abaixo de edificações, independentemente se no ambiente construído há porão(basement) ou não.

O composto químico tricloroeteno (TCE) tem sido discutido repetidamente em vários artigos e documentos técnicos, devido ser uma questão importante na intrusão de vapor. Para uma discussão mais abrangente do TCE e o porquê é fundamental para a intrusão de vapor, continue lendo…..

Por volta dos anos 1900, graxas e óleos foram removidos de roupas e peças metálicas usando misturas de hidrocarbonetos, incluindo gasolina, álcool minerais e Solvente de Stoddard. Os fabricantes de produtos químicos começaram a utilizar solventes clorados para reduzir o risco de incêndio e explosão. Desde a década de 1930, dois dos solventes clorados favoritos eram o tetracloroeteno (percloroetileno – PCE) e o tricloroeteno (TCE), assim chamados porque têm 4 e 3 átomos de cloro, respectivamente. 

O PCE e TCE são altamente eficazes na remoção de graxa. Seus pontos de ebulição moderados, baixa viscosidade e custos razoáveis os tornam perfeitamente adequados para limpeza a seco, desengraxe de vapor e outras operações similares de alto volume.  Ambos são geralmente considerados cancerígenos, mas a ligação com o câncer não é tão forte, quando comparado com outras substâncias comuns, como por exemplo o benzeno. 

Infelizmente, uma investigação de Paula Johnson, et al., (2003) descobriu que o TCE causa defeitos cardíacos fetais em ratos.  A investigação é controversa por uma série de razões, incluindo o fato de que a curva dose-resposta mostrada na Figura 2 de sua publicação sugere que o aumento da dosagem não se correlaciona com o aumento sistemático dos defeitos cardíacos.  No entanto, em 2011, a US EPA aceitou o modelo Johnson, resultando nos valores para TCE na Vapor Intrusion Screening Levels (VISL) de 2,1 µg/m³ em ambientes residenciais e 8,8 µg/m3 em ambientes comerciais/industriais (CI), com base em efeitos não cancerígenos. A título de informação, compare o VISL CI com o limite de exposição permitido da OSHA de 100 ppm (537.000 µg/m3).

Em alguns estados dos EUA, como por exemplo em Ohio, os riscos cancerígenos geralmente estão ligados a um Risco de Câncer ao Longo Da Vida (ELCR) de 1 em 100.000 (10E-5). No nível de risco de 10E-5, o nível de triagem do TCE de 4,8 µg/m3 não é terrivelmente diferente do nível de triagem não cancerígena de 2,1 µg/m3 atrelado a defeitos cardíacos fetais. Em Illinois, que baseia os níveis de triagem cancerígena a um ELCR  10E-6, o nível de rastreamento de câncer para TCE de 0,48 µg/m3 é inferior ao nível não cancerígeno de 2,1 µg/m3, mas o risco de não-câncer ainda impulsiona investigações e mitigações de intrusão de vapor. Por quê?

Como os cancerígenos normalmente precisam de anos ou décadas de exposição para impactar um receptor, enquanto o TCE pode causar defeitos cardíacos em crianças na gestação com tempo de exposição de talvez um único dia.  Consequentemente, a intrusão de vapor do TCE é considerada urgente, como refletido na orientação 03 dos Níveis de Ação de Resposta (RAL) da US EPA de Ohio (2016). Por exemplo, se o TCE em ar ambiente residencial exceder o nível de meta de 2,1 µg/m3 por um fator ou 3x ou mais, a Tabela 1 da RAL instrui para coordenar com as autoridades estaduais, locais e sanitárias apropriadas. A realocação temporária de receptores pode ser necessária. Ninguém quer ser expulso de casa por motivos de saúde, mesmo temporariamente. 

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Infelizmente, o TCE ainda é utilizado em produtos de consumo. O Guia de Intrusão de Vapor de Nova Jersey (2016) lista colas, adesivos, removedores de tintas, removedores de manchas, fluídos de limpeza de tapetes, tintas, limpadores de metal, fluído de correção de máquinas de escrever, limpeza automotiva, produtos de desengraxagem e limpadores de armas como fontes do TCE. Velas perfumadas, argila modeladora e massa do encanador também foram citadas como fontes do TCE.  Existe uma pressão para proibição de certos usos do TCE através da Lei de Controle de Substâncias Tóxicas (TOSCA), mas não ganhou muita tração, devido em parte, a perguntas sobre a veracidade da informação desse estudo sobre defeitos cardíacos em crianças durante a gestação.

Infelizmente, eliminar o TCE não eliminaria necessariamente o risco de intrusão de vapor.  Muitos usuários do TCE mudaram para PCE, mas quando o PCE quebra quimicamente, torna-se TCE. Portanto, as indústrias que consomem PCE a granel, incluindo estabelecimentos de limpeza a seco, muitas vezes acham que poderiam ameaçar à segurança ambiental, especialmente operações de pequenos negócios. Esse consumo poderia acarretar em custos de limpeza que poderiam exceder o valor da propriedade. 

A intrusão de vapor do TCE torna-se, portanto, bastante complicada.  Como o TCE está frequentemente presente no ar ambiente interior de fontes de background, pode ser difícil distingui-lo da intrusão de vapor.  Não adianta instalar um sistema simples de mitigação como usam para radônio em residências nos EUA para eliminar a intrusão de vapor se o TCE for de fontes internas. A variação temporal, ou seja, a mudança na concentração de vapor ao longo do tempo é outro problema, especialmente em ambientes de resposta urgente. A concentração de TCE muda em ambientes fechados em um fator de 10x ou mais documentado em relatórios.

Então me diga, quando você realiza uma amostragem. Se você coletar uma amostra de 24h via recipiente Summa Canister®, como você sabe que você realizou a campanha no dia correto?  E mesmo que soubesse, você não verá os resultados analíticos até semanas após o fato. Os métodos com uso de sorventes podem absorver a contaminação por até 02 semanas, mas o mesmo fornece concentrações médias para o período de amostragem, e não fornecem informações para um determinado dia. Os equipamentos eletrônicos oferecem leituras contínuas, e podem ser configurados para enviar um alarme se o TCE ou algum outro constituinte cruzar o nível orientador. Esses dispositivos capazes de reconhecer TCE a uma concentração de 2,1 µg/m3 custam em média US$ 30.000 e requer calibração e manutenção constantes. 

Existem poucas respostas claras para os problemas associados ao TCE na intrusão de vapor, mas é provável que o TCE será motivo de investigações ambientais hoje e no futuro. 

No próximo artigo, discutiremos odores e seu significado para a intrusão de vapor. 

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