Tetracloroeteno (percloroeteno, PCE) e seus produtos de decomposição, tricloroeteno (TCE), dicloroeteno (DCE) e cloreto de vinila (CV), estão presentes em praticamente todos os locais que que uma empresa de consultoria ambiental já tenha trabalhado. O site da CDC apresenta uma série de resumos chamados de TOXFAQ ATSDR, onde o PCE foi encontrado em pelo menos 945 dos 1.699 locais da Lista Nacional de Prioridades, enquanto que o TCE foi encontrado em pelo menos 1.045.
Conforme um artigo anterior, compostos tipo TCE são problemáticos, por isso é importante entender a relação entre esses compostos.
Continue lendo para saber mais sobre esses constituintes comuns na intrusão de vapor.
A maioria dos constituintes de intrusão de vapor são compostos orgânicos voláteis (VOC), que são baseados em carbono. Não é de surpreender que os hidrocarbonetos são compostos principalmente de hidrogênio e carbono, e seus nomes estão ligados ao número de átomos de carbono que contêm. O grupo mais simples, os alcanos, são hidrocarbonetos com átomos de carbono ligados uns aos outros, como segue:
- metano
- etano
- propano
- butano
- pentano
- hexano
- heptano
- octano
Os quatro primeiros são mostrados abaixo:
A sílaba raiz em inglês “eth” em tetracloroeteno, tricloroeteno e dicloroeteno indica que eles têm dois átomos de carbono, mas o sufixo “ene” nos diz que os carbonos são duplamente ligados, o que permite que cada átomo de carbono se ligue a apenas com três outros átomos ao invés de quatro. E claro, os prefixos “dichloro”, “trichloro”, and “tetrachloro”, indicam que as moléculas possuem dois, três e quatro átomos de cloro, respectivamente, conforme mostrado abaixo:
O cloro não se liga a hidrocarbonetos na natureza, mas se desprende de compostos clorados durante a decomposição química. Consequentemente, PCE, TCE, DCE e CV são todos fabricados, mas o PCE se divide em TCE, DCE e CV.
O DCE é bastante interessante para intrusão de vapor, porque existem três maneiras diferentes de configurar os átomos de cloro. O 1,1-DCE, conforme mostrado abaixo, é comumente fabricado, mas cis-1,2-DCE e trans 1,2-DCE geralmente resultam da quebra do TCE no subsolo. Logo, o cis-1,2-DCE e trans-1,2-DCE no ar interno geralmente indicam a presença de intrusão de vapor, e a proporção de cis-1,2-DCE interior para subsuperfície serve como referência para outros vapores.
Por exemplo, se o cis-1,2-DCE estiver presente no ar interno em uma concentração de 1 µg/m3 e no gás do solo abaixo do piso a uma concentração de 1.000 µg/m3, outros compostos de intrusão de vapor devem ter mais ou menos a mesma proporção.
Bom meio de rastrear Intrusão de Vapor
Suponha que o benzeno esteja presente no mesmo local que o gás do solo abaixo do piso a uma concentração de 5.000 µg/m3, seria de se esperar que a intrusão de vapor contribuísse com aproximadamente 5 ug/m3 ao ar interior. Mas se o benzeno estiver presente no ar interno em uma concentração de, digamos, 30 ug/m3, a maior parte é provavelmente de fontes de fundo, ou seja, substâncias internas ou do ar externo. Em diversos caso, o cis-1,1-DCE é muito mais abundante que o trans-1,2-DCE e, portanto, é um bom meio de rastrear intrusão de vapor.
Quanto aos seus usos, o PCE e TCE são amplamente utilizados para remoção de graxa e óleo. A maioria dos encontros de PCE que a empresa de consultoria Cox-Colvin encontrou no Estados Unidos foi usado para limpar peças de metal durante a fabricação e é o principal ingrediente da maioria dos limpadores de peças disponíveis no departamento automotivo. O PCE também é o fluído de limpeza a seco mais comum. Portanto, existem inúmeras fontes potenciais de contaminação. O TCE também é usado para desengorduramento industrial, mas em volumes um pouco menores do que o PCE. Ambos são ingredientes comuns em adesivos, tintas e várias outras substâncias, conforme discutido no resumo de contaminação de fundo de Nova Jersey DEP 2016, e Apêndice I de Orientação de Intrusão de Vapor de 2018 de Nova Jersey.
Como mencionado anteriormente, cis-1,2-DCE e trans-1,2-DCE não são comumente encontrados em produtos, o que provavelmente é o motivo pelo qual não está listado entre os compostos de ar pelo método US EPA TO-15 e ou, devido a essa situação, no Appendix IX groundwater compounds. A maioria dos laboratórios relata rotineiramente cis- e trans-1,2-DCE com outras substâncias do US EPA TO-15 a analisar, mas é recomendável que você verifique isso com antecedência, especialmente se você estiver trabalhando com solventes clorados. Nenhuma das três configurações de DCE (isômeros) são amplamente usadas como solventes, mas são usadas para sintetizar plásticos, e seu potencial para liberar gases de plásticos pode explicar sua presença ocasional de fundo no ar interno.
De acordo com o site da CDC, que apresenta uma série de resumos chamados de TOXFAQ ATSDR, foi encontrado em pelo menos 616 dos 1.662 sites da Lista Nacional de Prioridade. Como o DCE, o CV é mais amplamente utilizado na fabricação de plásticos, mas também tem sido usado como propelente de aerossol, refrigerante e até anestésico.
De acordo com o relatório VOC em Background, US EPA 2011, o PCE e seus produtos de decomposição foram detectados em residências norte-americanas nas seguintes frequências: PCE 62,5%, TCE 42,6%, cis-1,2-DCE 4,9%, 1,1-DCE 13% e VC 9,2%. Obviamente, o PCE e o TCE são tão comuns no fundo que sua presença no ar interno não indica necessariamente intrusão de vapor e, como o clorofórmio, benzeno e vários outros compostos, sua presença no ar interno deve ser interpretada à luz de vários fatores. Mas, novamente, a proporção de concentrações internas para vapores abaixo do piso deve se assemelhar as concentrações do cis-1,2-DCE, se estiver presente no gás do solo.
A calculadora de valores orientadores (VISL) da US EPA mostra a família de compostos PCE, assumindo um risco de câncer vitalício excessivo de 1 em 100.000 (ELCR 10-5), e um índice de perigo de 1, em um ambiente residencial é como segue:
|
Ar interior |
Gás do solo |
Lençóis freáticos |
|
|
tetracloroeteno |
41,7 | 1.390 | 122 |
| Tricloroeteno |
2.09 |
69,5 |
9.9 |
| 1,1-dicloroeteno |
209 |
6.950 |
320 |
| cis-1,2-dicloroeteno |
Não disponível |
Não disponível |
Não disponível |
| trans-1,2-dicloroeteno |
Não disponível |
Não disponível |
Não disponível |
|
cloreto de vinila |
1,68 | 55,9 |
2.08 |
O TCE não tem o valor orientador mais baixo do lote, mas o fato de estar associado a problemas cardíacos fetais após exposições curtas o torna uma preocupação particular, conforme discutido em artigos anteriores.
O PCE e seus produtos de decomposição são onipresentes na intrusão de vapor. A compreensão de seu comportamento e, especialmente, do papel do cis-1,2-DCE é fundamental para desvendar o quebra-cabeça da intrusão de vapor em locais comerciais/industriais.
Análise de amostras abaixo do piso (subslab)
Amostragem de gases e vapores subslab é uma das linhas de evidências essenciais nos modelos conceituais para estudos de intrusão de vapores e uma excelente abordagem para localizar fontes de contaminação.



