Alguns dos leitores saberão que as concentrações de vapores estão sujeitas a variações temporais, ou seja, que elas mudam ao longo do tempo. O ar de ambiente interno pode mudar muito. Toda vez que você abre uma porta, utiliza uma lata de spray aerossol ou ao abrir uma torneira, você altera as concentrações do ar do ambiente. A intrusão de vapor no ambiente pode-se alterar cerca de 10 vezes devido as mudanças de temperatura, pressão barométrica, taxas de ventilação e assim por diante, mas a introdução repentina de vapores de fontes internas pode causar alterações ainda maiores no ar do ambiente. As variações temporais nas concentrações de gás no solo são mais baixas, de acordo com o Guia de Intrusão de Vapor de 2007 da ITRC, que diz: “A literatura do radônio sugere que as variações temporais no gás do solo sejam tipicamente menores que um fator de 2”. A intrusão de vapor e o radônio são muito semelhantes em muitos aspectos, e geralmente são mitigados com os mesmos tipos de sistemas.
Antes de discutirmos o gás do solo, lembre-se de que a amostragem de ar de ambiente interno normalmente é acompanhada de amostragem de ar ambiente externo na direção do vento, para ajudar a distinguir o que já está presente no ar. Por causa do tempo que leva para o ar ambiente entrar em um edifício, o Guia de Intrusão de Vapor de 2015 da EPA diz que “a EPA geralmente recomenda o início da amostragem de ar ambiente pelo menos uma hora, mas preferencialmente duas horas, antes do início do monitoramento do ar interno”. Portanto, estritamente falando, amostras de ar ambiente externo e ambiente interno não são deliberadamente simultâneas.
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Existe uma semelhança no espaço de tempo para o gás do solo abaixo do contrapiso (subslab) entrar no ar do ambiente. Esse espaço de tempo é maior em relação ao gás oriundos de solo em maiores profundidades e maior ainda para os vapores a partir das águas subterrâneas. De acordo com o relatório de 2012 do Banco de Dado de Intrusão de Vapores da EPA, “amostras simultâneas são coletadas dentro do tempo sugerido de 48 horas para amostragem do contrapiso (subslab) e de pontos de monitoramento rasos em exterior emparelhados com a amostragem do ar ambiente interno e dentro de algumas semanas para monitoramento de pontos mais profundos em ambiente externo (próximo à fonte), e dentro de alguns meses para amostragem simultânea para amostragem de águas subterrâneas emparelhados com os dados coletados do ar do ambiente interno. Os prazos mais longos para as fontes de vapores mais profundas são usados porque essas amostras tendem a exibir menos variações em curto prazo. ” Os conceitos da EPA em relação ao fator de atenuação para vapores (a diminuição das concentrações durante a migração de vapor) são baseados nas informações deste banco de dados, assim como as concentrações do Vapor Intrusion Screening Levels (VISLs) para gases do solo e águas subterrâneas são derivados desse guia.
Por que definir a concomitância das amostragens? Por que simplesmente não coletamos amostras de ar de ambiente interno e subsuperfície para compilação e comparação dos dados? Um motivo é que pode ser difícil coletar todas as amostras paralelamente, especialmente uma com grandes conjuntos de dados. O Canister tipo Summa são equipamentos que ocupam espaço e levá-los ao campo ao mesmo tempo pode exigir a locomoção de vários trabalhadores e veículos. A coleta de amostras do ar do ambiente interno e águas subterrâneas no mesmo período de tempo requer o uso de diferentes tipos de equipamento de campo. Outro motivo para coletar amostras de águas subterrâneas e do ar do ambiente interno separadamente é que as águas subterrâneas podem ter sido coletadas para outros fins que não seja avaliação de intrusão de vapores. A amostragem de águas subterrâneas coletadas como parte de outro projeto, e possivelmente até por outros consultores ou agências, podem ser incorporadas nas avaliações de intrusão de vapores, economizando tempo, dinheiro e recursos.
Um argumento convincente contra a amostragem do ar do ambiente interno e gás do solo simultaneamente é que normalmente o ponto de amostra do gás do solo é purgado antes da amostragem. A purga é o processo de extrair o ar estagnado no ponto de coleta através do uso de bombas peristálticas ou a vácuo, para que a amostra do gás do solo não seja diluída com ar inicialmente estagnado no ponto de amostragem. Geralmente, não há uma maneira prática de capturar o gás de purga, por isso existe o risco de que amostras simultâneas do ar do ambiente interno sejam contaminadas com gás de purga. Esse problema pode ser evitado através da coleta de gás no solo logo após a amostragem do ar do ambiente interno, mas consequentemente as amostragens não seriam consideradas simultâneas.
Em alguns aspectos, a filosofia por trás da coleta do ar do ambiente interno e do gás do solo simultaneamente são processos de obtenção de resultados com possibilidade de falhas. As concentrações de vapores no gás do solo são críticas no início da investigação porque se elas excederem os valores orientadores, normalmente será necessário prosseguir para a amostragem do ar do ambiente interno ou mitigação preventiva de vapores. Porém, depois de mudar para a amostragem do ar do ambiente interno, as concentrações do gás no solo serão utilizadas para interpretar os resultados da amostragem do ar do ambiente interno. Se um produto químico no ar do ambiente interno estiver ausente nos resultados da amostragem do gás do solo ou se a proporção do ar do ambiente interno/subslab for maior que a de outros compostos, provavelmente a contaminação foi proveniente de fontes internas. E como as concentrações químicas no gás do solo tendem a variar, suas proporções mudarão sem afetar a interpretação de contaminação de fontes de background (interior).
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O gráfico de teia abaixo, de uma antiga fábrica no centro de Ohio ilustra o sentido. Vários produtos químicos correspondem aos pontos em torno do círculo (raios). As concentrações de vapores correspondem à distância do centro do círculo. Se os vapores encontrados no ar do ambiente interno resultassem inteiramente da intrusão de vapor, os polígonos do ar interno seriam parecidos com os polígonos do gás do solo, apenas menores. O fato de alguns compostos, principalmente benzeno, tolueno, etil-benzeno e xilenos (BTEX) no lado esquerdo do gráfico, serem relativamente altos no ar do ambiente interno, em relação ao gás do solo, sugere que eles são de contaminação no ambiente (background).
Nesse caso, o ar do ambiente interno e o gás do solo do contrapiso (subslab) foram coletados simultaneamente, mas se os mesmos fossem coletados sequencialmente, isso mudaria a interpretação? Na verdade, não. As variações nas concentrações de gases no solo tornariam os polígonos um pouco menores ou maiores, mas as relações entre o ar do ambiente interno e o gás do solo seriam as mesmas.
De acordo com as diretrizes de intrusão de vapores de Massachusetts de 2016, “o MassDEP (Depto Ambiental de Massachusetts) considera amostras grab samples (curta duração) suficientes para amostras externas de gás no solo e subslab.” Acreditamos que isso faz sentido. Coletar amostras de gás do solo no contrapiso (sub slab) com amostras grab samples (amostragem instantânea) após a amostragem do ar interno elimina a contaminação de amostras do ar interno com o gás de purga, e a falta de simultaneidade não afetaria adversamente a interpretação dos dados. Permitir essa flexibilidade no momento da coleta de amostras também poderia simplificar a logística de procedimentos de amostragem que já são bem complexos.
